A ARTE E O INCONSCIENTE

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                                 O interesse pelas artes plásticas sempre foi uma constante em minha vida e apesar de nunca ter me profissionalizado, não deixei de estar sempre vivendo em contato com a pintura, me expressando de uma forma  autodidata.

                                  Após algum tempo, senti a necessidade  de buscar uma diretriz. Iniciei então, uma pesquisa didática nas escolas de artes plásticas passando a frequentar cursos de desenho de modelo vivo no MAM, sob a orientação do artista plástico Gianguido Bonfanti, e também cursos sobre pesquisa da cor com o também professor e artista plástico, José Maria Dias da Cruz e outos, na Escola de Arte Visual do Parque Lage.

                                 Em 1981, movida por minhas inquietações filosóficas e constante curiosidade intelectual, formei-me em Psicologia na Universidade Santa Úrsula.

                                 Descobri Jung e seus conceitos; o Inconsciente Coletivo e o trabalho da Prof. Dra. Nise da Silveira, no "Museu de Imagens do Inconsciente"- afinal havia uma coerência entre a minha forma de expressão e o fato de estar buscando um modo que procurasse entender o ser humano e principalmente a mim mesma. Tudo passou  a fazer mais sentido quando tomei conhecimento do conceito da Dra. Nise sobre a "loucura" e a arte. Segundo ela, alguns autores acham que a pintura pode levar o indivíduo a mergulhar cada vez mais no mundo imaginário, se desligando do real. O homem é um ser do real, ele quer a volta, e para sair do cáos, usa a pintura , o desenho, a escultura, enfim a  arte como instrumento. Um instrumento para discriminar as coisas confusas e ordená-las.

                                  Percebi então, essa função poderosa da arte, a revelação do Inconsciente; descobrindo que basta que sua capa se rompa para que o vulcão jogue suas lavas para fora. Isso foi a ponte que me ligou ao mundo. Com a minha pintura passei a me comunicar - de certa forma até catártica- com o mundo que me cercava.

                                  Assim, dando expansão à minha criatividade, pude constatar a força do instinto, conhecer o Inconsciente e consequentemente reconhecer que as grandes criações  não são patrimônio pessoal de ninguém. Todos nós temos essa fonte que nutre os poetas, os pintores, os filósofos, os matafísicos - uns com maior outros com menor controle - a possibilidade de trabalho das emoções. Estamos de uma forma ou de outra, tentando nos expressar, nos doar, fazer uma declaração de afeto ou de amor aos nossos semelhantes.

                                  Tento fazer do ato de criar, um instante de inteligência e de amor ao outro. Eu acho que para o pintor/a e para todo aquele que pinta, pintar é um ato natural. É uma segunda natureza. Quando estou "bem", eu pinto, e se não estiver pinto também. Pinto sempre. Quando estou feliz ou quando tenho de me defender do que me cerca. Para mim, pintar e respirar é quase a mesma coisa.

                                   Ora incursionando pelo impressionismo ou pelo surrealismo, tento o abstrato, a  abstração da coisa, sem contudo abandonar a expressão figurativa.

                                    Essa desvinculação e liberdade, é uma busca incessante, obsessiva até, para achar um meio de conseguir  a minha própria expressão. Não me importando muito com meu ecletismo, com a difuculdade de ser categorizada, rotulada, catalogada. Busco minha expressão de artista plástica, de mulher, de psicóloga, de ser humano.

Busco fazer meu "Caminho de Santiago" por dentro de mim mesma. Buscando o meu ser interior, através do ato de pintar.

 

 Tania Maria Furtado Nobre

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